São duas e meia e as escadas enchem-se de alunos com as suas mochilas… Todos estão ansiosos por atravessar a porta da escola para sair para a rua… Disse todos?… Pois não, é terça ou quinta-feira, e há alguns alunos de diferentes anos que se destacam da maioria e vão para o pátio ou para a biblioteca. Vê-se que estão animados e com vontade de comer rápido para começar a jogar basquetebol ou pingue-pongue e esperar pela hora das atividades… Comem as suas sandes, aquecem o que trazem nas suas lancheiras, partilham, jogam e riem…
Ficas na tua escola à tarde?
Eles acham um plano genial… “O que vais fazer lá?”… Às vezes nem se lembram do que têm para fazer essa tarde, mas não ligam porque o mais importante é ESTAR, “estar num” lugar onde te sentes apreciada, apreciado, tal como és, “estar com” outros colegas e com professores que preparam aulas de apoio, workshops ou programas de rádio e televisão ou simplesmente conversam à volta de uma mesa…

São duas e meia e alguns professores e professoras dedicam um pouco do seu tempo “livre” a estar com os alunos e alunas de uma forma diferente… Pode parecer um “trabalho extra”, mas na realidade é uma “oportunidade extra” de se aproximarem deles, conhecê-los melhor,
ajudá-los a criar sentido de pertença, a descobrir as suas capacidades e que às vezes não conhecem… É a oportunidade de viver junto com eles “experiências de bem” que nos aproximam dos outros e de Deus, o SOL desse amanhecer que aparece este ano no nosso logotipo.
É que, desde os começos da Congregação,
ficou muito clara a importância do tempo livre como espaço de EVANGELIZAÇÃO, como lugar de ACOLHIMENTO e ACOMPANHAMENTO, como tempo de GRAÇA. Vicenta Maria tinha muito claro o quão importante era que as jovens usassem o seu tempo livre, os seus dias de descanso, da forma mais adequada possível… Incentivava as irmãs a alimentar-lhe a mente e a alma com beleza e criatividade,…

O acolhimento, a proximidade, oferecer o nosso tempo, viver experiências juntos, poderiam ser o cenário em que descobrem que, num mundo onde são convidados a "replicar" personagens que só conhecem através das redes sociais, eles são os verdadeiros protagonistas das suas vidas e que estão chamados a ser felizes, e assim também a lembrar isso aos outros ao estilo de Jesus.
Nas obras da congregação, apostámos em aproveitar o ócio e o tempo livre como plataformas de evangelização, e é que, nesses momentos em que estamos mais despreocupados, descansados e tranquilos, maior é a receptividade ao que acontece à nossa volta, ao diferente, ao “novo”…
Para muitos dos nossos adolescentes e jovens, o que está relacionado com Deus, com a fé,
é, em muitos casos, uma novidade absoluta. Por isso, a nossa presença entre eles deveria ser um reflexo do amor que o nosso Deus lhes deseja oferecer.
Uma autentica vocação
Realmente, a evangelização, no e do tempo livre, é uma autêntica vocação, dentro do nosso carisma. É uma chamada a ser com os nossos jovens, a acompanhá-los nesses momentos da sua vida cotidiana em que não é bom que estejam sozinhos e em ocasiões especiais como os encontros com adolescentes e jovens de outros centros.
É importante ser presença amiga, ser confidentes, partilhar o que sabemos e o que somos, mas também é fundamental deixar que através deles o nosso Deus nos fale e nos ensine a encarnar-nos, cada vez mais, nesse mundo adolescente e jovem ao qual nos continua a enviar, como fez com Vicenta Maria. Dou graças a Deus pela sua chamada a caminhar junto dos adolescentes e jovens que ao longo da vida tem colocado no meu caminho, e por me oferecer AGORA a possibilidade de estar com eles QUANDO AS AULAS ACABAM…
por Lupe Ruiz-Santacruz Ramos, professora em López y Vicuña Gijón.



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